segunda-feira, 14 de abril de 2014

Distancia impiedosa

E é impossível negar, sempre lembro de como nossas coxas se enroscavam quando tocava aquele jazz, tua carne desnuda à mostra, o toque da ponta de teus dedos passeando sem rumo sobre meus cabelos e esquecendo-se em minha nuca, tão proposital quanto os olhos de fome que fazia quando sobre à penumbra me despia, tua voz rouca propagava-se tão tímida e lenta que hesitava se de veraz queria fazer-se ouvida, o aroma do teu sexo que exalava o quão me queria mais perto, quase que dentro, ou se através. O acalanto que teu coração fazia quando descansava minha cabeça em teus seios, ah teus seios! A maneira como demonstrava satisfação quebrando o silêncio com súbitos suspiros, tuas unhas quando me marcava a pele e teus dentes quando me marcava a alma. Hoje quando devaneio em noites insones, sobre o vazio massacrante de minha cama, refaço as notas em minha mente daquele jazz que, me maltrata hoje tanto quanto um dia já preencheu uma vida inteira, e que hoje já não passa de súbitas recordações involuntárias, que não tem outro propósito se não dilacerar-me.

Carlos A.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

confusão amorosa

uma bota-me para dormir
a outra tirava-me o sono
uma não permite-me ir
a outra era só abandono

uma pega-me no colo
a outra deixava-me de lado
uma prepara-me um bolo
a outra fazia-me um melado

uma sorri-me na matina
a outra madrugava tufão
uma é delicada menina
a outra era áspero rojão

uma causa-me epifania
a outra tinha-me segredo
uma tem ninfomania
a outra era rochedo

o nome da primeira,
chama-se Isabela
o da segunda
não lembro qual era

mas quanto amor sinto
por aquela que o nome esqueci
mesmo com seu modo distinto
sem ela adoeci

e se surgir a pergunta
eu não deixei de amar a primeira
já que o amor pela segunda
vem toda segunda-feira

Carlos A.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Tem pranto que parece prece
em cada canto um pranto
e em cada prato um tanto
o tanto que se refece

Carlos A.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Quando

Palavras quando não ditas
tornam-se cancro na goela
Bocas quando não beijadas
tomam-se virgens às donzelas

Sussurros quando não escutados
Perdem-se em meio as criações
Amores quando são temidos
petrificam-se doces corações

Gemidos quando não tem sentidos
formam-se duros lacaios
Desejos quando são contidos
afloram-se possíveis ensaios

Carícias quando não obscenas
amabilizam-se tecidos adiposos
Olhos quando não mirados
estagnam-se à guisa de manhosos

Carlos Ant.


não escrevo poesia
a poesia me descreve
me risca, me atiça
me usa, e me abusa
depois, por ventura
me esquece
em uma gaveta
que se quer
tem abertura

Carlos A.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Verborragia

Envolve sim, claro que envolve, o tempo é relativo, e os dias são todos os dias, uma mera coincidência, eles vão, eles voltam, mas no fim de tudo acaba sendo a mesma monotonia. Quanto vale um dia? Alguns dirão 24 horas, outros dirão que valerá o tempo que se esteve acordado, mas haverão ainda alguns que não saberão a resposta, e eu estou com eles, porque o tempo é atemporal, a pergunta: quanto tempo o tempo tem? é irrespondível, não existe tempo, isso tudo é uma ilusão para preenchermos isso que foi nos posto, essa confusão que é a vida, até que ela acabe, levando consigo o tempo, que também nunca existiu.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ruptura

E desde quando é preciso ter motivos para deixar de gostar de alguém? Não gosto mais e pronto! Assim mesmo, sem nenhum motivo intitulado o causador. As coisas tomam uma proporção incontrolável e já não tenho mais saco para ficar me dilacerando em vão. Não preciso me desculpar, não preciso de perdão, e não preciso da sua amizade; claro que seria injúria falar que nunca careci, mas é que nesse instante momento já não é mais desejada, e por conseguinte, levemos nossas vidas pelos caminhos opostos, e é isso! Claro que virá alguém, algum amigo em comum, indagar-te o motivo de nossa desunião, e nesse momento não hesite, responda: "E quem precisa de motivos para deixar de gostar de alguém?"
 
Carlos Antônio