quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Quando

Palavras quando não ditas
tornam-se cancro na goela
Bocas quando não beijadas
tomam-se virgens às donzelas

Sussurros quando não escutados
Perdem-se em meio as criações
Amores quando são temidos
petrificam-se doces corações

Gemidos quando não tem sentidos
formam-se duros lacaios
Desejos quando são contidos
afloram-se possíveis ensaios

Carícias quando não obscenas
amabilizam-se tecidos adiposos
Olhos quando não mirados
estagnam-se à guisa de manhosos

Carlos Ant.


não escrevo poesia
a poesia me descreve
me risca, me atiça
me usa, e me abusa
depois, por ventura
me esquece
em uma gaveta
que se quer
tem abertura

Carlos A.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Verborragia

Envolve sim, claro que envolve, o tempo é relativo, e os dias são todos os dias, uma mera coincidência, eles vão, eles voltam, mas no fim de tudo acaba sendo a mesma monotonia. Quanto vale um dia? Alguns dirão 24 horas, outros dirão que valerá o tempo que se esteve acordado, mas haverão ainda alguns que não saberão a resposta, e eu estou com eles, porque o tempo é atemporal, a pergunta: quanto tempo o tempo tem? é irrespondível, não existe tempo, isso tudo é uma ilusão para preenchermos isso que foi nos posto, essa confusão que é a vida, até que ela acabe, levando consigo o tempo, que também nunca existiu.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ruptura

E desde quando é preciso ter motivos para deixar de gostar de alguém? Não gosto mais e pronto! Assim mesmo, sem nenhum motivo intitulado o causador. As coisas tomam uma proporção incontrolável e já não tenho mais saco para ficar me dilacerando em vão. Não preciso me desculpar, não preciso de perdão, e não preciso da sua amizade; claro que seria injúria falar que nunca careci, mas é que nesse instante momento já não é mais desejada, e por conseguinte, levemos nossas vidas pelos caminhos opostos, e é isso! Claro que virá alguém, algum amigo em comum, indagar-te o motivo de nossa desunião, e nesse momento não hesite, responda: "E quem precisa de motivos para deixar de gostar de alguém?"
 
Carlos Antônio

domingo, 20 de outubro de 2013

subversão

sua vida era torta
cara sempre fechada
batia na saída a porta
bom dia ele não dava

especulava sua morte esquecida
não sabia o caminho que andava
agradecia a cachaça concebida
o cigarro maldito tragava

nos seus olhos carregava uma dor
nos seus ombros tristeza profunda
já não procurava nenhum amor
em lágrimas a noite, afunda

até hoje não se sabe onde está
deve ter fugido um instante 
se afogado, sequestrado, quiçá
ou apenas caminha distante.

Carlos Antônio

poesia vomitada

eu
que andava
tão distante
não parava
um instante
agora já não
falo mais nada

logo eu
que tinha
a mente levada
usava sempre
a escada
quase nunca
dizia não
fui deixar
assim do nada
dilacerarem
meu coração

e eu?
que toda noite
rezo o terço
quando pequeno
dormia de berço
pra deixar de lado
essa melancolia
só vomitando
uma poesia.

Carlos Antônio

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

poema errado

nessa métrica imperfeita
desse poema sem vida
o que a princípio seria
despretendida de rima
já não faço mais nada
além de te dizer querida
que de tinta sujo minhas mãos
e de tristeza toda uma vida

nesses versos sem rumo
desse poema inacabado
o que a principio seria
nada além de um emaranhado
já uso como confidência
pra livrar-me de tanto pecado
que sem mesmo perceber
já estou tão acostumado

nessas estrofes petulantes
desse poema teimoso
o que a princípio seria
digno de tamanho desgosto
o que eu ponho pra fora
é o que me desce no rosto
e o que eu ponho pra dentro
é esse poema um tanto torto.

Carlos Antônio