tentei suprir a falta que me fazes
de maneira a me entupir de amigos
embriagar-me por beber demais
todas as garrafas de absinto
quando passaste pela porta da sala
levaste consigo meus sonhos
todos amarrotados em tua mala
junto com todos os anos
não ouse então fazer confusão
nem tente revir com rosas
já entreguei a outro meu coração
que me escreve poemas e prosas
se por ventura pensares em mim
coloques uma pedra no caminho
permita um ponto, um fim
de sua rosa sou o espinho
esqueças porém que fui algum dia
tua coberta e teu travesseiro
o som que fazia tua alegria
ecoar sobre o mundo inteiro.
C.A.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Crônica: Escassez de educação, sobra de lixo
Quando ando pela rua, e quando resolvo distrair-me propositalmente, permitindo-me olhar para as casas com cores estranhas, erros grotescos de português em anúncios de vende-se algo, animais nadando no desgosto do abandono. Deparo-me também, mais corriqueiramente do que tudo, com a quantidade de pedidos de "Não jogue lixo aqui!", como se houvesse a necessidade de orientar que não se deve jogar lixo naquele determinado lugar, desqualificando os outros locais próximos onde habita a aglomeração da mau educação das pessoas que é injustificável.
As vezes também, as próprias placas com os recursos de persuasão com enfoque na palavra "não" em letras evidenciadas, ainda, não é uma garantia. Creio que as placas, cartazes, pichações, dizeres escrito à mão com tinta e pincel devam ser reescrito, trocar o verbo "jogar" pelo "ser" deveria solucionar. Porque a verdade é que existem pessoas tão desprezíveis, tão mesquinhas de convívio social, egoístas, aborígenes de um país pior ainda, que propagam sua ignorância por onde passam, e não fazem mais nada além que deteriorar uma situação já grave.
Pior que jogar lixo em local desapropriado só mesmo sendo o que joga.
O lixo por mais sendo sujo, nojento, infeccioso em alguns casos, tem seu valor para alguns. Quantas recordações da pizza em família, do porta retrato quebrado, da mamadeira abandonada por uma criança que vive uma nova fase são jogado fora? Alguns seres simplesmente não devem ser digno de tal comparação. O lixo nada mais é que o desapego de coisas desnecessárias em sua sobrevivência, e um homem que joga a sua educação em uma sacolinha de supermercado em local indevido, nada mais tem para se orgulhar se não da própria ignorância.
C.A.
As vezes também, as próprias placas com os recursos de persuasão com enfoque na palavra "não" em letras evidenciadas, ainda, não é uma garantia. Creio que as placas, cartazes, pichações, dizeres escrito à mão com tinta e pincel devam ser reescrito, trocar o verbo "jogar" pelo "ser" deveria solucionar. Porque a verdade é que existem pessoas tão desprezíveis, tão mesquinhas de convívio social, egoístas, aborígenes de um país pior ainda, que propagam sua ignorância por onde passam, e não fazem mais nada além que deteriorar uma situação já grave.
Pior que jogar lixo em local desapropriado só mesmo sendo o que joga.
O lixo por mais sendo sujo, nojento, infeccioso em alguns casos, tem seu valor para alguns. Quantas recordações da pizza em família, do porta retrato quebrado, da mamadeira abandonada por uma criança que vive uma nova fase são jogado fora? Alguns seres simplesmente não devem ser digno de tal comparação. O lixo nada mais é que o desapego de coisas desnecessárias em sua sobrevivência, e um homem que joga a sua educação em uma sacolinha de supermercado em local indevido, nada mais tem para se orgulhar se não da própria ignorância.
C.A.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Vida de passarinho
para ser passarinho
basta chegar de mansinho
vestir-se de pena
compaixão e linho
deve-se aprender:
a caçar minhocas
fazer sua toca
esconder-se na loca
fugir de caçador
gorjear como lá
migrar para longe
filhotes chocar
e quando encosta
mais duras dores
pousar no ninho
e inspira autores
C.A.
basta chegar de mansinho
vestir-se de pena
compaixão e linho
deve-se aprender:
a caçar minhocas
fazer sua toca
esconder-se na loca
fugir de caçador
gorjear como lá
migrar para longe
filhotes chocar
e quando encosta
mais duras dores
pousar no ninho
e inspira autores
C.A.
Garota de Aluguel
todos os dias bate-lhe
sensação devaneada
enquanto sobe as escadas
e não delimita cada
Maria agora é Madalena
fugiu de sua casa na roça
por que fazer cena?
não queria mais ser moça!
fecha a porta do quarto
disse o senhor arrumado
não quero ser visto
nem mesmo por cristo
agora és minha amante
temos cinco minutos
tire esses trapos, ande!
mostre seus atributos
alojou-se entre as nádegas
fez dela sua hospedeira
acabou com suas pregas
imundou a obreira
a carniça exposta à mesa
não espera nenhum afago
observa de longe o estrago
e o sobejo de sua presa
descansa no leito do harém
seu corpo aos poucos ceifa
enquanto o mantra recita
"não sou escrava de ninguém"
C.A.
sensação devaneada
enquanto sobe as escadas
e não delimita cada
Maria agora é Madalena
fugiu de sua casa na roça
por que fazer cena?
não queria mais ser moça!
fecha a porta do quarto
disse o senhor arrumado
não quero ser visto
nem mesmo por cristo
agora és minha amante
temos cinco minutos
tire esses trapos, ande!
mostre seus atributos
alojou-se entre as nádegas
fez dela sua hospedeira
acabou com suas pregas
imundou a obreira
a carniça exposta à mesa
não espera nenhum afago
observa de longe o estrago
e o sobejo de sua presa
descansa no leito do harém
seu corpo aos poucos ceifa
enquanto o mantra recita
"não sou escrava de ninguém"
C.A.
domingo, 18 de maio de 2014
Poesia para ninguém I
o poeta mendigo
alfabetizou-se na rua
escrevia versos tímidos
com um giz no chão
largava em seu rumo
sempre que podia
um pouco de sua solidão
e os transeuntes dispersos
que correm atrasados
não leram o jornal
não assistiram ao noticiário
nem sequer viram
o que se tinha passado
por ali todos trafegaram
a moça com o bebê
o vigia da obra atrasada
as freiras para capela
a bela senhora adornada
mas ninguém se quer notara
que vazia estava a calçada
mas sempre tem alguém
que por força do destino
não acorda assim muito bem
e foi aquele pequeno menino
cabisbaixo pela sorte
leu no chão uma poesia
no qual falava de morte
"nessa vida tristonha
de um mundo sem porta
mendigo não morre
descansa no céu"
Carlos A.
alfabetizou-se na rua
escrevia versos tímidos
com um giz no chão
largava em seu rumo
sempre que podia
um pouco de sua solidão
e os transeuntes dispersos
que correm atrasados
não leram o jornal
não assistiram ao noticiário
nem sequer viram
o que se tinha passado
por ali todos trafegaram
a moça com o bebê
o vigia da obra atrasada
as freiras para capela
a bela senhora adornada
mas ninguém se quer notara
que vazia estava a calçada
mas sempre tem alguém
que por força do destino
não acorda assim muito bem
e foi aquele pequeno menino
cabisbaixo pela sorte
leu no chão uma poesia
no qual falava de morte
"nessa vida tristonha
de um mundo sem porta
mendigo não morre
descansa no céu"
Carlos A.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Distancia impiedosa
E é impossível negar, sempre lembro de como nossas coxas se enroscavam quando tocava aquele jazz, tua carne desnuda à mostra, o toque da ponta de teus dedos passeando sem rumo sobre meus cabelos e esquecendo-se em minha nuca, tão proposital quanto os olhos de fome que fazia quando sobre à penumbra me despia, tua voz rouca propagava-se tão tímida e lenta que hesitava se de veraz queria fazer-se ouvida, o aroma do teu sexo que exalava o quão me queria mais perto, quase que dentro, ou se através. O acalanto que teu coração fazia quando descansava minha cabeça em teus seios, ah teus seios! A maneira como demonstrava satisfação quebrando o silêncio com súbitos suspiros, tuas unhas quando me marcava a pele e teus dentes quando me marcava a alma. Hoje quando devaneio em noites insones, sobre o vazio massacrante de minha cama, refaço as notas em minha mente daquele jazz que, me maltrata hoje tanto quanto um dia já preencheu uma vida inteira, e que hoje já não passa de súbitas recordações involuntárias, que não tem outro propósito se não dilacerar-me.
Carlos A.
Carlos A.
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