o poeta mendigo
alfabetizou-se na rua
escrevia versos tímidos
com um giz no chão
largava em seu rumo
sempre que podia
um pouco de sua solidão
e os transeuntes dispersos
que correm atrasados
não leram o jornal
não assistiram ao noticiário
nem sequer viram
o que se tinha passado
por ali todos trafegaram
a moça com o bebê
o vigia da obra atrasada
as freiras para capela
a bela senhora adornada
mas ninguém se quer notara
que vazia estava a calçada
mas sempre tem alguém
que por força do destino
não acorda assim muito bem
e foi aquele pequeno menino
cabisbaixo pela sorte
leu no chão uma poesia
no qual falava de morte
"nessa vida tristonha
de um mundo sem porta
mendigo não morre
descansa no céu"
Carlos A.
domingo, 18 de maio de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Distancia impiedosa
E é impossível negar, sempre lembro de como nossas coxas se enroscavam quando tocava aquele jazz, tua carne desnuda à mostra, o toque da ponta de teus dedos passeando sem rumo sobre meus cabelos e esquecendo-se em minha nuca, tão proposital quanto os olhos de fome que fazia quando sobre à penumbra me despia, tua voz rouca propagava-se tão tímida e lenta que hesitava se de veraz queria fazer-se ouvida, o aroma do teu sexo que exalava o quão me queria mais perto, quase que dentro, ou se através. O acalanto que teu coração fazia quando descansava minha cabeça em teus seios, ah teus seios! A maneira como demonstrava satisfação quebrando o silêncio com súbitos suspiros, tuas unhas quando me marcava a pele e teus dentes quando me marcava a alma. Hoje quando devaneio em noites insones, sobre o vazio massacrante de minha cama, refaço as notas em minha mente daquele jazz que, me maltrata hoje tanto quanto um dia já preencheu uma vida inteira, e que hoje já não passa de súbitas recordações involuntárias, que não tem outro propósito se não dilacerar-me.
Carlos A.
Carlos A.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
confusão amorosa
uma bota-me para dormir
a outra tirava-me o sono
uma não permite-me ir
a outra era só abandono
uma pega-me no colo
a outra deixava-me de lado
uma prepara-me um bolo
a outra fazia-me um melado
uma sorri-me na matina
a outra madrugava tufão
uma é delicada menina
a outra era áspero rojão
uma causa-me epifania
a outra tinha-me segredo
uma tem ninfomania
a outra era rochedo
o nome da primeira,
chama-se Isabela
o da segunda
não lembro qual era
mas quanto amor sinto
por aquela que o nome esqueci
mesmo com seu modo distinto
sem ela adoeci
e se surgir a pergunta
eu não deixei de amar a primeira
já que o amor pela segunda
vem toda segunda-feira
Carlos A.
a outra tirava-me o sono
uma não permite-me ir
a outra era só abandono
uma pega-me no colo
a outra deixava-me de lado
uma prepara-me um bolo
a outra fazia-me um melado
uma sorri-me na matina
a outra madrugava tufão
uma é delicada menina
a outra era áspero rojão
uma causa-me epifania
a outra tinha-me segredo
uma tem ninfomania
a outra era rochedo
o nome da primeira,
chama-se Isabela
o da segunda
não lembro qual era
mas quanto amor sinto
por aquela que o nome esqueci
mesmo com seu modo distinto
sem ela adoeci
e se surgir a pergunta
eu não deixei de amar a primeira
já que o amor pela segunda
vem toda segunda-feira
Carlos A.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Quando
Palavras quando não ditas
tornam-se cancro na goela
Bocas quando não beijadas
tomam-se virgens às donzelas
Sussurros quando não escutados
Perdem-se em meio as criações
Amores quando são temidos
petrificam-se doces corações
Gemidos quando não tem sentidos
formam-se duros lacaios
Desejos quando são contidos
afloram-se possíveis ensaios
Carícias quando não obscenas
amabilizam-se tecidos adiposos
Olhos quando não mirados
estagnam-se à guisa de manhosos
Carlos Ant.
tornam-se cancro na goela
Bocas quando não beijadas
tomam-se virgens às donzelas
Sussurros quando não escutados
Perdem-se em meio as criações
Amores quando são temidos
petrificam-se doces corações
Gemidos quando não tem sentidos
formam-se duros lacaios
Desejos quando são contidos
afloram-se possíveis ensaios
Carícias quando não obscenas
amabilizam-se tecidos adiposos
Olhos quando não mirados
estagnam-se à guisa de manhosos
Carlos Ant.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Verborragia
Envolve sim, claro que envolve, o tempo é relativo, e os dias são todos os dias, uma mera coincidência, eles vão, eles voltam, mas no fim de tudo acaba sendo a mesma monotonia. Quanto vale um dia? Alguns dirão 24 horas, outros dirão que valerá o tempo que se esteve acordado, mas haverão ainda alguns que não saberão a resposta, e eu estou com eles, porque o tempo é atemporal, a pergunta: quanto tempo o tempo tem? é irrespondível, não existe tempo, isso tudo é uma ilusão para preenchermos isso que foi nos posto, essa confusão que é a vida, até que ela acabe, levando consigo o tempo, que também nunca existiu.
Assinar:
Postagens (Atom)